A Mudança de Paradigma no Mercado dos Restaurantes

A Mudança de Paradigma no Mercado dos Restaurantes

O dia a dia corrido e a praticidade da sociedade atual faz com que muitas pessoas prefiram comer fora de casa, o que mantém o mercado de restaurantes em uma linha crescente. A média de participação anual desse ramo é de R$70 bilhões ao ano no Brasil. Isso se deve a alguns fatores como: a mudança na estrutura familiar, a crescente participação feminina no mercado e o aumento da renda média brasileira. Em paralelo a essas mudanças ocorre uma mudança cultural e de pensamento e, por conta disso, uma adaptação do padrão existente.

No Brasil, até meados de 2010, o mercado dos restaurantes era pautado pela agilidade, que muitas vezes comprometia a qualidade dos produtos. Mas, hoje, isso já não é mais o ponto principal. Influenciado diretamente pela revolução industrial, o mercado teve que se adaptar às novas necessidades, e criou o modelo fastfood, baseado em linha de produção, assim como feito nas indústrias, impressionando a todos devido à velocidade, praticidade e preço reduzido.

Esse modelo de produção teve início na Califórnia, em meados dos anos 40, inspirado no sistema drive-in, que se mostrou tendência nessa época. No entanto, com o crescimento do mercado surgiram também alguns problemas, como a saturação do mercado por conta da concorrência e a despadronização dos processos pelo mercado de franquias. Assim, se iniciou a crise no atual modelo do mercado de restaurantes.

A Crise no Sistema Fastfood
O início da queda desse modelo de produção pode ser resumido em dois pontos principais: o crescimento do modelo fast casual e a mudança de hábitos das novas gerações. Esses problemas não foram causados diretamente por uma queda na produtividade ou na qualidade que rege o sistema, mas sim por uma causa natural: a mudança na sociedade.

O crescimento do modelo fast casual, que une o principal ponto do fastfood, a agilidade, mas não deixa de lado a qualidade foi um dos pontos que mais impulsionou a mudança. A diferença de preço não é grande, assim como o tempo de espera, mas a qualidade do produto faz com que o custo benefício seja maior e, assim, dê um salto à frente do modelo fastfood. Pautada na qualidade do atendimento e dos pratos, na agilidade, em um cardápio mais saudável e no preço justo, essa frente gastronômica está em ascensão atualmente.

O problema da mudança de hábitos está totalmente ligado às gerações Y e Z, marcadas pelo uso cada vez maior de tecnologias e um acesso crescente a informações. Por conta disso, o mundo dos negócios sofreu com alterações e adaptações, sendo a maior delas no ramo alimentício, por ser mais dinâmico.

Diante disso, o que será que vem agora para o setor?

Mudança no Paradigma dos Restaurantes
No panorama atual da gastronomia, podemos encontrar algumas mudanças, ou evoluções, quando comparado às fases anteriores. Os principais pontos dessa revolução gastronômica são influenciados por pontos sociais, como a maior conscientização, a evolução tecnológica e um padrão de vida mais elevado. Todos esses pontos fazem com que a cobrança seja maior, levando em conta que há um crescimento direto na concorrência, tanto qualitativa quanto quantitativamente. Por isso, acabamos retomando alguns pontos do movimento Nouvelle Cuisine, baseado em novas experiências, inovações e combinações, agora não só na França, mas de forma global. Com o renascimento deste movimento do século passado, seguindo alguns dos “10 mandamentos” de Fernand Point, era perceptível a transição entre fases.

Um dos pontos marcantes dessa transição foi a gourmetização, com o foco não só na qualidade da comida, mas principalmente na experiência gastronômica em si. Comer em um restaurante é muito mais do que se alimentar, é um prazer, um entretenimento. Passamos da fase da simples alimentação em restaurantes para a concretização de uma experiência gastronômica.

Além disso, a sociedade está criando consciência sobre aspectos que antes não recebiam tamanha visibilidade, como os cuidados com a saúde e o meio ambiente e, cada dia mais, também cresce a preocupação com a procedência do alimento a ser consumido. Hoje, é a própria sociedade que dita o mercado, com diferentes necessidades e desejos, fazendo com que tudo se adapte e se recrie.

Tal conscientização conseguiu difundir muito duas novas vertentes, que estão em um crescimento nítido: a alimentação fitness e a cozinha sustentável, como os alimentos veganos, vegetarianos e orgânicos. Essa nova percepção faz com que empresários tenham que evoluir junto à sociedade e tentem encaixar seu negócio em novas tendências.

Outro ponto é a evolução tecnológica, que também afeta diretamente o ramo alimentício. Um exemplo disso é o popular uso de aplicativos de entrega, que vem crescendo cada vez mais. Este cenário faz com que a concorrência entre restaurantes, mesmo de linhas diferentes, seja muito grande e, portanto, a variedade, qualidade e o preço acabem sendo benéficos para os clientes, devido ao controle indireto da “mão invisível” do livre mercado.

Sendo assim, podemos afirmar que o aumento da cobrança por parte dos clientes é o que mais influência nessa mudança de paradigma. A saturação do mercado faz com que cada vez mais o diferencial seja valorizado, o que exige muita criatividade, tendo em vista à diversidade consolidada que já existe atualmente.

Resumidamente, a chave para o sucesso de um restaurante nos tempos atuais é o equilíbrio entre a inovação, que o diferencia dos tantos outros concorrentes, a qualidade no produto e o atendimento, servindo como ponto de fidelização de clientes.

Sobre o autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Quem somos

Parte do Movimento Empresa Júnior, o Grupo Gestão é uma organização sem fins lucrativos, formada por alunos da Universidade de Brasília, com o propósito de impactar a sociedade através de uma consultoria empresarial inovadora.

BAIXE AQUI